Nota das Mulheres do PSOL sobre a PUCRS

Moção de repúdio à truculência e machismo do DCE PUCRS durante as eleições de tiragem de delegados do 52º CONUNE

Nesta última segunda-feira, dia 13 de junho, presenciamos, durante as eleições do 52º Congresso da UNE na PUCRS, cenas de violência, machismo e banditismo. Cenas indignas de um movimento estudantil! Quando duas militantes do movimento estudantil da universidade foram questionar novamente a lisura das eleições realizadas pelo Diretório Central dos Estudantes da PUCRS, foram brutalmente agredidas por membros da gestão desta entidade, sendo uma delas inclusive agredida sexualmente.

A atual gestão do DCE da PUCRS é ligada ao vereador Mauro Zacher do PDT-RS e não é de hoje que este grupo político se utiliza de violência para coagir estudantes da oposição, sendo que, em 2004, uma subcomissão da ALERGS concluiu que: “(1) as eleições para os centros acadêmicos e diretório central dos estudantes da PUCRS não são livres e democráticas (2) existem indícios de que a Reitoria da PUCRS interfere nas entidades de representação estudantil (3) existe, por parte da Reitoria da PUCRS, censura prévia às manifestações estudantis (4) a contribuição compulsória é uma das fontes de sustentação financeira do DCE da PUCRS (5) existem indícios de que as bolsas estudantis são usadas politicamente para coptação e neutralização dos estudantes e (6) existem indícios de ação em quadrilha, configurada pela prática de ameaças, violência e coação física contra estudantes. A lembrança do assassinato do estudante Fábio Borba tem sido usada sistematicamente como meio de intimidação dos estudantes. É fundamental investigar profundamente este homicídio, ainda não esclarecido”(Fragmento do Relatório da Comissão de Direitos Humanos, p. 17, 2005 – http://www.al.rs.gov.br/download/SubDCE_PUCRS/Relatorio_Subcomissao_PUCRS.pdf).

Agora, em 2011, vemos novamente este mesmo grupo político agredir sistematicamente estudantes da oposição, principalmente as mulheres, ameaçando-as de estupro e culminando já em algumas agressões físicas a elas. As imagens exibidas pela internet na última terça-feira (link do vídeo:http://www.youtube.com/watch?v=ETjOIS5ldkc) mostram claramente a ação misógina dos integrantes do DCE PUCRS contra as militantes Paola Piumato e Tábata Silveira, desligando as luzes da sala da entidade no mesmo momento em que a estudante Paola começa a gritar pedindo socorro e outros estudantes são impedidos de entrar na sala para ajudá-las. Essa situação é mais um episódio de uma longa e repugnante história que mancha esse Diretório.

A violência contra mulher deve ser combatida em todas as esferas da nossa sociedade e não pode ser usada como arma política para coagir e oprimir a militância estudantil. As cenas das camaradas sendo arrastadas para fora da sala do DCE PUCRS e, anteriormente, os gritos da companheira Paola Piumato pedindo ajuda, nos remetem às centenas de mulheres agredidas diariamente em nosso país, como se, pelo simples fato de sermos mulheres, não tivéssemos o direito de contestar ou nos opormos aos desmandos da truculência e do banditismo de estudantes sexistas.

Não é a primeira vez este ano que os membros do DCE PUCRS coagem e agridem militantes mulheres nesta universidade. Na semana passada, mais 3 camaradas foram agredidas por contestar a lisura do processo eleitoral de tiragem de delegados do 52º Congresso da UNE.

Nós do PSOL sabemos que vivemos em uma sociedade patriarcal e capitalista, e, para nós, é fundamental o combate ao machismo para a construção de uma sociedade socialista. É inconcebível que correligionários do PDT, partido que lutou contra a ditadura militar e pela redemocratização do país, se utilizem de métodos comparáveis aos torturadores militares. Reiteramos nossa solidariedade aos estudantes da PUC/RS que se encontram em longa jornada de lutas contra a ditadura ali imposta pela reitoria e pelo DCE , mas, principalmente, nossa solidariedade às militantes mulheres agredidas por não abaixarem a cabeça frente ao totalitarismo engendrado nesta universidade e em tantas outras país afora.

Hoje, somos todas Paolas e Tábatas, pois não nos calaremos frente aos abusos e agressões advindos da violência machista presente em nosso país. É necessário que a PUC/RS garanta a integridade física e psicológica das militantes, não compactuando mais ainda com os desmandos do Diretório Central dos Estudantes. A sociedade gaúcha e brasileira não pode se calar frente à demonstração explícita de descaso e subjugação das mulheres, pois as cenas acontecidas na PUCRS são de violência recorrentes a todas as mulheres brasileiras.

O FEMINISMO NUNCA MATOU NINGUÉM, O MACHISMO MATA TODOS OS DIAS!

PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER!

PROTEÇÃO A TODAS AS MULHERES AGREDIDAS PELO DCE PUCRS!

PELA PUNIÇÃO DOS AGRESSORES DA PUC/RS!

UMA OUTRA GESTÃO DIGNA PARA O DCE PUCRS!

Assina:

Mulheres do PSOL

3º Fórum de Artes Marciais

No domingo (13.02), foi realizado a 3ª edição do fórum de artes marciais. Como sempre, a atividade foi  rica de debates. Nesta edição inovamos abrindo o evento com exame de grau dos alunos de muay thai do mestre Fabian Tubino. Seguido pelas saudações da Vereadora Fernanda Melchionna e a apresentação de um curso de especialização em lutas que tem na Austrália apresentado pelo prof: Ranieri Viscard. O prof: Giuliano Andreoli que da aulas de kung fu,é graduado em ed.física e mestrado em pedagogia, falou de elementos pedagógicos das artes marciais. O camarada Biju que é militante do PSOL fez o contexto histórico da educação física e da construção do cidadão.O graduando em ed.física e também militante do PSOL Celedo Neto mencionou a inconstitucionalidade do Creff seguido do mestre Enildo Pacheco que é o precursor do muay thai no RS e delegado na convenção nacional dos esportes. O sindicalista João Ezequiel se pronunciou sobre as visões antagônicas e a importância do debate para unificar a categoria.

Uma montanha de solidariedade e humanidade

Wálmaro Paz.

Quando escreveu sua obra Utopia, em 1516, Thomas Moore, com certeza estava tendo uma visão do futuro. Projetava a Ilha de Cuba como seria na segunda metade do século XX e no início do terceiro milênio. Um local paradisíaco povoado por pessoas extremamente solidárias, amorosas, sensíveis e inteligentes.

(Traducción al español Aquí)

Assim é Cuba, uma natureza exuberante ocupada por pessoas repletas do sentimento de amor pela humanidade. Apesar de viverem numa pobreza franciscana, os cubanos não hesitam em partilhar sua mesa – comida e bebida – com seus visitantes. Seus homens e mulheres são muito carinhosos e sem preconceitos e têm atitudes que demonstram uma incrível inocência nestes tempos bárbaros em que vive o restante da humanidade.
É impossível ir-se a Cuba sem se apaixonar por sua natureza e pelo seu povo e, ao mesmo tempo sem sentir uma sensação de culpa por permitir a existência deste cruel bloqueio imposto pelo Império do Norte que não permite o desenvolvimento harmônico das potencialidades daquele povo.

Amor é a mística que envolve aquela terra do Caribe e aquelas pessoas orgulhosas de sua cultura e humildes o suficiente para saber de suas origens indígenas, africanas e espanholas. A crença na revolução e a fé na honestidade de suas lideranças históricas trazem a convivência harmoniosa que se observa nas festas públicas quase diárias , nos parques e praças onde se canta, toca e baila a vontade.

É o mesmo amor que faz com que aquele povo resista a um dos mais cruéis bloqueios da história humana, mantido pelo Prêmio Nobel da Paz, de 2010, Barack Obama, um verdadeiro traidor de suas origens. O mais encantador é que a resistência se faz com pulso firme e ao mesmo tempo com um sorriso nos lábios e a esperança no olhar. Por isso entende-se que a grande trincheira de Cuba que facilita sua indômita resistência é uma montanha de solidariedade calcada no amor pela espécie humana. (Por cortesía del autor) FOTO: Roberto Suárez

Este artigo foi publicado pelo jornal Diário Regional, de Santa Cruz do Sul e pelo blog Islamia, de Cuba.

Eleições UFRGS

Só hoje consegui fazer um post sobre a UFRGS. Mas fiquei muito feliz com o resultado das eleições para o Diretório Central dos Estudantes.

O DCE, a partir de dezembro, volta a ser da esquerda coerente e combativa. Volta a ser dirigido por estudantes, entre eles muitos do PSOL, que há vários anos lutam para que a UFRGS seja realmente pública e popular. Estudantes que organizam diariamente, com ou sem DCE, movimentos para que o filho do trabalhador e ele próprio possam entrar na universidade, nela se manter e se formar. A esquerda que está retomando o comando do DCE é quem constrói o verdadeiro movimento estudantil da UFRGS que, nos últimos anos, conquistou o RU da ESEF, a aprovação das ações afirmativas, a ampliação das isenções das taxas do vestibular para alunos de escola pública, entre outras coisas.

Também é importante destacar que a próxima gestão do DCE terá a frente três mulheres. Isso demonstra que também no movimento estudantil cada vez mais as mulheres deixam de ser coadjuvantes para serem protagonistas da luta por uma sociedade mais justa. Eu fui coordenadora geral do DCE/UFRGS em 2005. Esse período foi muito importante na minha formação política. Aprendi muito com as lutas que vivi e com os companheiros que eu conheci. Companheiros que dedicaram parte do seu tempo para que a UFRGS avançasse.

Nessa época já era evidente que só a luta muda a vida.

Uma ótima gestão!

Fernanda Melchionna

Luta diária

Em defesa da Escola Salomão Watnick

Junto com a Comissão de Educação, visitei a escola de inclusão de surdos, Salomão Watnick. Apesar do belo esforço das professoras que oferecem educação em libras, a situação é precária. A escola está localizada em um prédio improvisado e temporário, na rua Mariante, possuí um espaço minúsculo, com apenas 3 salas de aula. Já existe um terrreno cedido para construção de uma escola permanente na rua Cosme e Damião, mas infelizmente essa ainda não é prioridade do governo. Estamos nos somando a luta para que haja priorização e recursos para a construção da escola e que em 2011 seja cedido outro prédio para que as aulas possam ser ofertadas ampliando as vagas. Estima-se que 14% da população tenha alguma limitação visual, sonora ou auditiva. Será que Porto Alegre se tornará uma cidade acessível e inclusiva? Esta é nossa luta!

Rubem Berta: audiência pública e perspectivas.

Diante de centenas de moradores do Bairro Rubem Berta, ontem teve sessão pública da Câmara. Muitas lideranças se inscreveram para falar dos graves problemas da região: ausência de pavimentação de vários núcleos, pouco acesso à saúde (o bairro, apesar do tamanho, não conta com sequer uma equipe do Programa da Saúde da Família), a segurança e o aumento dos usuários do crack e das redes cruéis do narcotráfico.

Fizemos uma intervenção falando do Orçamento, afinal é inaceitável que diante de tantos problemas, a prefeitura siga gastando mais verba em publicidade e salários dos Cargos de Confiança que investindo no que é importante para a população.

Felizmente, seguimos na luta de reivindicações e conquistas para a população do Rubem Berta.

Os limites da (in)tolerância

Segue como sugestão de leitura um artigo escrito pelo meu camarada Israel Dutra sobre a (in)tolerância:

Os limites da (in)tolerância

A parada gay do Rio de Janeiro deveria ser considerada um sucesso completo. Além de uma demonstração de força da pauta do movimento LGBT, foi uma celebração à diversidade. Lamentavelmente, ao final, um jovem de apenas 19 anos foi baleado, segundo testemunhas, por militares fardados que estavam no local. Outro fato, coincidentemente triste, foi a agressão efetivada por jovens da classe média alta paulistana, contra homossexuais, em plena Avenida Paulista. Tais acontecimentos, gravíssimos, revelam a necessidade da discussão e de uma política que responda à contenção de atrocidades deste tipo.

Dias atrás, a Polícia Civil no Rio Grande do Sul desbaratou um aparelho de organizações de extrema direita; nazistas que planejavam um atentado contra o Senador Paulo Paim, como represália contra a política de cotas raciais nas universidades públicas. Como responder a tamanha violência, tamanha intolerância?
Estes fenômenos não são massivos, nem populares. São grupos organizados, sem nenhum respaldo ou apoio social, que utilizam de métodos violentos para chocar a sociedade, efetivando de maneira criminosa seu preconceito. São organizações para políticas, que com critérios doentios e irracionais, buscam constranger setores da sociedade civil. Tais expressões, com caráter fascista, são respostas aos marcos de avanço civilizatório, democrático que nossa sociedade vem experimentando. Nos últimos vinte anos, diversos movimentos sociais obtiveram conquistas, despertando a ira dos setores conservadores, dos fundamentalistas de direita. A organização de Paradas LGBT´s em capitais e grandes cidades, mobilizando milhões de pessoas, a simpatia pela causa da união civil entre homossexuais, o posicionamento de parcelas importantes da população pela descriminalização do aborto são avanços sociais enormes. Contudo, essas contradições não são resolvidas através de “consensos” ou do “bom debate”. Reacionários de todo tipo se organizam para contestar tais mudanças, e sua ala mais truculenta busca levantar a cabeça.

Outro forma de manifestação que se enquadra nestes moldes, foi a jovem Mayara Petruso, que postou na internet mensagens proclamando o ódio racial contra os nordestinos. É lugar comum nos meios de comunicação, setores que questionam os “direitos humanos”, com chavões como “direitos humanos para humanos direitos”.

A única forma de defender conquistas diante de tanta intolerância destes grupos extremistas é ter uma política clara de exigências para que o Estado atue de forma decisiva. O exemplo da “Lei Maria da Penha” deve ser seguido. A luta contra a homofobia só pode ser completa com o maior rigor conta os homofóbicos. A tarefas é articular um programa para derrotar os grupos de choque reacionários com a defesa de bandeiras como as presentes no PNDH-3.
Aliás, os candidatos Dilma e Serra esconderam e esconderam-se do PNDH-3 durante o período eleitoral. Os crimes contra os Direitos Humanos que vem acontecendo diariamente não seriam um bom pretexto para que o novo governo reabra esse debate? Ironicamente, os mesmo que diziam combater o extremismo de direita parecem calados demais quando os extremistas agem, de forma prática e concreta. Neste caso, a tolerância de alguns é que cobra seu preço.

ENEMganados novamente

Recebi o artigo da Maíra com o qual concordo integralmente. Leiam:

Imagine-se sentado numa carteira de escola, aguardando para fazer um concurso que foi comentado o ano inteiro como essencial no seu futuro. Para alguns, essa prova era apenas um passo necessário para chegar a uma vaga certa. Para outros, uma tentativa. Para alguns ainda, um misto de novidade, nervosismo e incerteza. Em qualquer das situações, é difícil imaginar o que se passou na cabeça dos quase 5 milhões de jovens que se depararam com os absurdos erros identificados no Enem deste ano.

É necessário precisar que falo no ano de 2010, já que no ano de 2009 o erro foi outro. A pergunta que não quer calar é: Será que o MEC não percebe o tamanho da palhaçada? Depois de conturbadas modificações em 2009, que fizeram com que diversas mudanças no exame fossem realizadas às pressas, em 2010 nos deparamos com erros grotescos.

Voltemos à nossa cena imaginada: já preocupada com o tempo escasso, eis que a pessoa vira uma página do caderno de questões e… cadê as questões? Página em branco. Ou então, ao passar as questões para o gabarito, percebe que o cartão resposta não confere com o caderno de questões. Já exasperado, o candidato provavelmente deve perguntar algo ao fiscal. O fiscal, deve ter transmitido a mesma preocupação ao seu coordenador. Imagino que os coordenadores devam ter procurados seus respectivos superiores. Fico só imaginando a quantidade de telefonemas que foram feitos para Brasília neste dia.

Diz o Presidente do INEP (órgão do MEC responsável pelo Enem) que houve uma orientação para todos os coordenadores estaduais, que teriam transmitido a informação num efeito cascata, indicarem a observação rigorosa da ordem do caderno de questões (aquele que estava na ordem diferente do cartão-resposta). Pense, nesse Brasilzão enorme de meu Deus, na possibilidade de ocorrer o famoso “telefone sem fio”. E se um fiscal desavisado orientasse o cidadão a rasurar o cartão-resposta? Ou seguir a ordem dele? Ou simplesmente não falasse nada? Todas estas situações, e outras mais, foram relatadas pela imprensa neste fim de semana. Com todas estas dúvidas na cabeça, você faria esta prova com tranquilidade?

Após o primeiro dia de prova, o Senhor Presidente do INEP disse em coletiva de imprensa que nenhum candidato seria prejudicado, e que não haveria “a menor razão para anular a prova, uma vez que esta transcorreu em tranqüilidade”. Ao ser questionado diversas vezes sobre a falta de organização, ou responsabilidades sobre os erros, afirmou insistentemente que a solução era que o MEC iria abrir um “ambiente virtual” em que os estudantes poderiam fazer um “requerimento” para que suas provas pudessem ser corrigidas de maneira “diferente”. Difícil vai ser apurar o que foi que saiu igual e o que saiu diferente, sendo que a orientação sobre preenchimento de gabaritos pode não ter atingido seu destino a tempo.

O que é mais intrigante disto tudo é como pode, depois de toda a polêmica de 2009, em que as provas foram roubadas do cofre do Ministério da Educação sob os narizes de todos, ocorrer um erro deste mote? O mínimo que se pode pensar é que o Ministério da Educação está menos se importando com a lisura e segurança de um processo seletivo nacional do que com a sua propaganda. Que bonito seria anunciar que o Enem de 2010 ocorreu sem problemas, com milhões de estudantes ocupando as vagas disponibilizadas. Entretanto este objetivo só pode ser cumprido se requisitos mínimos forem cumpridos. Um deles, que é básico, é que alguém cheque se o enunciado das questões confere com o do gabarito. E olhe que isso não requer prática nem sequer habilidade. Só um pouco de vergonha na cara.

Tenho certeza que a mesma desatenção não ocorre com as milionárias movimentações financeiras que se dão diariamente no mercado de ações, com os títulos do Governo Federal. Afinal de contas, ali há muito em jogo. Aqui, só vidas. Só educação.

Essa prova mexe com a vida de muita gente. Tem muito jovem que acreditava que poderia conseguir alguma vaga em uma universidade com esta prova. Tem outros que tinham isso como uma certeza – esses provavelmente ficam mais exaltados. Tem gente que foi lá pra conhecer como é talvez voltarem mais preparados no ano que vem. Mas para todos esses fica a sensação de que o MEC não está nem aí para eles. O que vem daí pra frente é daqueles remendos que pioram: ou vamos ter uma nova prova para todos, ou teremos uma nova prova para alguns, ou fica como está. Das três, não sei qual é a menos legítima. Escolha difícil.

E como se não bastasse, o MEC ainda vem postar ameaças no Twitter que está “monitorando” as pessoas que legitimamente se manifestaram dizendo que moveriam ações na justiça pela ilegitimidade da prova. Que papelão.

Em tempo: Este ano o Enem foi elaborado pelo conveio Cespe/Cesgranrio. A Cespe (Centro de Seleção e Promoção de Eventos) é um órgão da Fundação Universidade de Brasília, e foi presidida por ninguém menos do que José Joaquim Soares Neto, o atual presidente do INEP. O Senhor Soares Neto inclusive assumiu o cargo em virtude da saída do presidente anterior, em decorrência da fraude de 2009. Suas palavras no dia em que assumiu o cargo foram: “Não tenho dúvidas de que todos voltarão a confiar na aplicação do Enem, é uma prova que tem importância fundamental na educação superior do país”. E agora, José?

Maíra Tavares Mendes (Professora da Rede Municipal de São Paulo, Mestranda em Educação pela UFRGS e Coordenadora do Cursinho Popular Salvador Allende/Rede Emancipa)

Pelo fim do bloqueio econômico a Cuba

Por Guilherme de Oliveira*

No dia 25 de outubro ocorreu, na Assembléia Legislativa de Porto Alegre, um ato de apoio a Cuba. Dentre os mais de 50 presentes estavam o Conselheiro e Vice-chefe da Embaixada cubana no Brasil, Alexis Bandrich Vega. Também estavam presentes os deputados estaduais Raul Carrion (PCdoB) e Raul Pont (PT), a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL) e demais representações de apoio ao povo cubano.
O motivo do ato é a discussão, na terça-feira (26), na Assembléia Geral das Nações Unidas, sobre o projeto de resolução pelo fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba. Em 2009, dos 192 estados membros, 187 votaram contra o bloqueio e decidiram a favor de Cuba. Três votaram pela manutenção do bloqueio e dois se abstiveram.
Em média, o bloqueio econômico custou e custa a Cuba, em um cálculo que para alguns é até otimista, 751 bilhões 363 milhões de dólares. É o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico e social cubano. ‘’Não é certo que digam que o socialismo realiza uma má administração, mas sim que o bloqueio prejudica o desenvolvimento do nosso país.’’, afirma Alexis.
O bloqueio não afeta só a Cuba ou aos Estados Unidos, o bloqueio afeta a terceiros países, suas empresas e pessoas. Cuba não pode exportar e nem importar produtos norte-americanos, não pode usar dólares nas transações internacionais ou para usar em contas em outros países. Cuba não tem acesso a créditos em bancos e filiais norte-americanos, no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional e nem no Banco Internacional de Desenvolvimento. Cuba não pode comercializar com filiais de empresas norte-americanas, inclusive no Brasil e não pode importar produtos que tenham 10% de componentes norte-americanos. Os Estados Unidos ameaçam e sancionam qualquer empresário que queira comercializar com Cuba. Se um barco estrangeiro entrar na ilha, carregar produtos ou cidadãos cubanos ele ficará seis meses sem poder comercializar com os EUA. Existem diversas restrições comerciais para o cidadão norte-americano em relação a Cuba, se ele viaja para a ilha, ele só pode gastar diariamente até 159 dólares. Como exemplo das restrições, Alexis citou o caso de um norte-americano que comprou charutos cubanos pela Internet e recebeu uma multa de 154 mil dólares.
O bloqueio continua sendo o mais largo, cruel e injusto sistema de sanções que se conhece na história da humanidade. Bloqueio que tem como objetivo extinguir com o socialismo no mundo, que fez com que Cuba perdesse 80% de espaço no comércio exterior. Bloqueio que se mantém mesmo que Cuba, em 2008, tenha sido vitima de três furacões que causaram perdas milionárias na economia cubana e de uma crise econômica mundial que afeta também à ilha.
O bloqueio também consiste em uma guerra psicológica, de subversão que se dá pela propaganda contra a ilha caribenha. Cuba esta no Haiti há 11 anos desenvolvendo um trabalho de solidariedade através dos médicos formados na Escola Latino Americana de Medicina situada em Havana. Isso não é noticia, é noticia a greve de fome de um delinqüente. Semanalmente são transmitidas duas mil horas de programação subversiva contra a ilha, saídas dos Estados Unidos. São utilizadas 34 freqüências de ondas curtas e médias AM e FM, 19 estações de rádio e televisão para transmitir uma programação que incita a desestabilização e a violência contra o governo cubano. Somente rádio e televisão gastaram em 2010 cerca de 30 milhões de dólares para produzir materiais contra Cuba.
O bloqueio é contrário a Carta das Nações Unidas, atenta aos direitos da paz, ao direito de desenvolvimento e a segurança de um Estado soberano. É uma agressão unilateral porque Cuba não agride os Estados Unidos. Para acabar com o bloqueio o governo norte-americano exige mudanças internas em Cuba e isso é um ato contra a soberania do país.
Os Estados Unidos alegam que Cuba atenta contra os direitos humanos e que na ilha não há democracia.
A UNICEF acaba de declarar que Cuba é vanguarda na América Latina nos cuidados das crianças. Com 43% da Câmara de deputados e mais de 60% da força técnica profissional composta por mulheres, o Fórum econômico mundial declarou que Cuba é o país da América Latina que melhor defende a igualdade de gênero. Cuba tem cumprido quase todos os objetivos do milênio, já erradicou a desnutrição infantil e o analfabetismo e assegura para 2015 cumprir todos os objetivos, apesar do bloqueio.
A revolução cubana não é perfeita, mas é uma das revoluções mais justas, progressistas e nobres que existe no mundo e se não pode fazer mais foi por conta do bloqueio e não por culpa das pessoas que administram a revolução. Fidel Castro afirma que Cuba não é um modelo porque não conseguiu fazer o que queria fazer, conseguiu fazer o que as condições permitiram fazer.
Sobre a continuidade da luta e da defesa do socialismo, Alexis Vega afirma que ‘’Cuba segue lutando, porque estamos convencidos do que estamos fazendo, porque somos revolucionários, porque acreditamos que a felicidade não está em consumir, em comprar, em ter a casa cheia de alimentos. De que vale uma loja cheia de brinquedos se tem crianças na rua pedindo dinheiro, descalças, sem sapatos? Se há pessoas dormindo na rua? Podem estar seguros que o capitalismo não volta a Cuba! .’’.
Para Alexis, a herança história e a crença em uma humanidade mais justa garantem o apoio internacional pelo fim do bloqueio. ‘’Cuba guerreou em Angola na década de 70. Mais de 50 mil cubanos lutaram e ajudaram a libertar o país africano, derrotaram o apartheid e o que ganharam? Nada, os mortos cubanos. Cuba guerreou na Etiópia, Argélia, Nicarágua, El Salvador e o que ganhou? Cuba não levou nenhuma onça de ouro, de marfim, não levou petróleo. Cuba fortaleceu a dignidade e a soberania desses países. Fortaleceu o que há de mais importante que é o amor e o respeito ao próximo. Quando os africanos levantam a mão defendendo Cuba nas Nações Unidas, em Genebra, contra as acusações que alegam que Cuba viola os direitos humanos, estão levantando as mãos pelos mortos cubanos que sacrificaram suas vidas guerreando nesses países. Estão levantando a mão em defesa da solidariedade, da dignidade e da soberania. Estão provando que o mundo não tem dono e que mais global que o capital é o amor ao próximo.’’, afirmou Vega.

*Estudante de jornalismo (PUCRS) e militante socialista.

Em defesa da memória histórica

Ontem (quarta-feira,15) fiz o seguinte discurso em defesa da preservação da memória em nossas escolas apoiando ao PLL-115 que obriga o ensino sobre o holocausto nas escolas municipais: Sr. Presidente, colegas Vereadores e Vereadoras, eu venho à tribuna novamente dizer da importância das escolas, da memória, e de todas as representações da memória coletiva de uma sociedade, sobretudo, do estudo daquilo que nós temos que negar no futuro. Então, eu acho que é importante que se discutam as atrocidades que aconteceram – e o Projeto do Ver. Valter é bem claro com relação a isso – durante o holocausto. O extermínio de milhões de pessoas, a concentração dentro dos campos monstruosos, as piores torturas a que as pessoas foram submetidas, os trabalhos forçados, a câmara de gás, e uma série de coisas que todos nós que conhecemos a história temos que resgatar para combater. O extermínio dos homossexuais, que foram colocados também no projeto, dos ciganos, dos comunistas, como forma de liquidar moralmente, fisicamente, da maneira mais atroz possível. O Reich, esse horror, essa equipe monstruosa, nazista e fascista também – e tivemos outros exemplos na história, como na Itália – promoveram essa brutalidade com o povo judeu e com esse segmento da sociedade.
Como o meu amigo Hugo Scott sempre diz: “A memória é uma arma carregada de futuro.” E nós temos que resgatar sempre a memória. Sempre! Discutir a memória, não para glorificar o passado, no sentido dos heróis que sobreviveram, que resistiram, que lutaram, à sua época, que foram milhares e milhões espalhados pelo mundo tentando combater esse sistema monstruoso que foi o nazismo e o fascismo. Mas, sobretudo, para prospectar que isso não se repita no futuro. A memória é uma arma carregada de futuro.
E nós não podemos deixar de discutir também – já que o tema é a memória – as atrocidades que ocorreram na ditadura militar brasileira, no sumiço, desaparecimento, assassinato de milhares de militantes da esquerda, valorosos, que perderam a vida para defender a democracia para que, hoje, nós estejamos aqui. Nós não podemos deixar de combater, deixar de colocar a necessidade de combater a intolerância que acontece nos países, com relação à imigração, como hoje nós vimos esta questão do véu na França. É um debate a se fazer, porque é toda uma população que tem uma cultura, com a qual eu não concordo, como feminista, como mulher, mas não é o Estado, que quer banir a imigração, que pode dizer para as mulheres como elas podem ou como não podem se vestir. Não pode ser um governo que diga para aqueles e para aquelas como devem se portar, tornando, assim, inclusive, mais difícil a libertação religiosa e cultural dessas mulheres, porque, ao proibir determinadas manifestações da sua cultura, vai ser mais difícil a convivência na rua, nas escolas públicas. E nós temos de combater qualquer tipo de ingerência e qualquer tipo de atrocidade. E, por isso, eu acho importantíssimo, Ver. Valter, a Câmara se posicionar nesses temas. Certamente, o senhor vai ter o voto da Bancada do PSOL, como nós também nos pronunciamos contra os ataques aos navios palestinos, V. Exa. sabe que nós também defendemos o respeito, a soberania e a autodeterminação do povo palestino.
Parabéns por este Projeto que contará com o meu apoio; não podemos aceitar atrocidade de nenhum aspecto, de nenhum povo sobre outro povo. Pela autodeterminação dos povos, pela soberania, pelo respeito aos direitos humanos! Obrigada.

Política business, candidatos-mercadoria e a alternativa da esquerda

“A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista aparece

como uma imensa coleção de mercadorias”

Karl Marx, O Capital

Na política atual, dominada pelos ricos e pelos partidos tradicionais, decidir o voto está cada vez mais parecido com fazer compras em um supermercado, os rótulos mentem sobre a qualidade do produto. No “rancho” de outubro de 2010 escolheremos senadores, deputados estaduais, federais, governadores e presidente…

Antes, quando comparávamos candidaturas, buscávamos compreender as diferenças entre projetos políticos que levariam o país ou estado a rumos distintos. Na época da política business, a “coleção de mercadorias” nos parece ser tão homogênea que fica difícil separar a água e o óleo. Contrariando a ciência, se misturaram e viraram a geléia geral que estamos presenciando. Materiais gráficos, imbuídos do mais moderno marketing político e financiados por grandes empresas, mostram candidatos photoshopados o suficiente para se tornarem irreconhecíveis se, por milagre, forem encontrados nas ruas. As alianças eleitorais não convergem na história dos candidatos e nem no programa dos partidos.

Na “prateleira” da política business encontramos combinações inimagináveis: Collor, Sarney, Renan Calheiros apóiam Lula do PT, que por sua vez, carrega no colo Dilma e seu vice Michel Temer do PMDB, que era o presidente da Câmara dos Deputados. Dilma do PT apóia Hélio Costa do PMDB, que foi ministro do governo Lula, para governador de Minas e também Sérgio Cabral do PMDB para governador do Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, Tarso do PT contra Fogaça que é do PMDB!

Ainda, no bloco de alianças nacional do PT, encontramos o PP, ex-Arena, responsável pelos horrores da ditadura militar e, entre outras peripécias, pela prisão de Lula e Dilma. Aqui no estado o mesmo PP apóia Yeda do PSDB, principal partido rival do PT na disputa nacional. Confuso. Mas como “a propaganda é a alma do negócio” tudo se harmoniza na TV. O país das maravilhas de Alice fica parecendo o Presídio Central, perto do mundo cor-de-rosa que vemos diariamente nos programas eleitorais. No fantástico mundo cinematográfico desaparecem as votações vergonhosas dos parlamentares, a corrupção e a história dos candidatos, todo mundo é Ficha Limpa!

Os candidatos-mercadoria, como um tênis, um carro ou um iPod, também precisam ser vendidos. Com o desencantamento do povo com a política business, ninguém mais quer ser militante de candidaturas vazias, logo, também são necessários vendedores, ou melhor, cabos eleitorais pagos que foram carinhosamente batizados de “temporários”. Tão temporários quanto os professores contratados nas escolas públicas para “tapar os furos” da falta de concurso ou como os “bicos” que amenizam o sofrimento dos milhões de desempregados do país das maravilhas e do Rio Grande no caminho certo, quando vistos fora da telinha.

Recentemente, a coligação de Yeda divulgou uma cartilha que ensina a “buscar o voto”. O material é endereçado a candidatos e “chefes de campanha” e afirma que “o eleitor idealiza um POLÍTICO CORRETO, ético e trabalhador” e portanto é preciso apostar no marketing e se parecer o máximo possível com esta ideia.

Agregam ainda “cabos eleitorais eleitorais significam votos garantidos, funções que não geram vínculo empregatício com o(a) candidato ou partido, mas geram responsabilidades” e orienta: “a atenção deve ser redobrada para possíveis erros de abordagem, agressividade, desperdício de material promocional, traições, subornos e ainda em relação à presença marcante de aproveitadores que se inscreveram para essa atividade para ganhar camisetas, lanches, ou para fazer média com o(a) candidato, ressurgindo mais tarde para cobrar favores”.

Genial! Os “aproveitadores” são as vítimas do desemprego que aceitam vender as ilusões inventadas pelos candidatos e partidos-mercadoria, por uma camiseta ou um lanche que faz falta em casa. Justamente por não ter nenhum outro “vínculo empregatício”. A política business arrocha os trabalhadores e dá moleza para as empresas, com isso, gera uma situação de incertezas permanentes ocasionadas pelo desemprego. Passando dificuldades as pessoas deixam a dignidade em casa e batem à porta dos partidos-mercadoria e aceitam defender sabe-se lá o que. Como prova de reconhecimento daqueles ganham o adjetivo de “aproveitadores”!

As empresas que “doam” milhões de reais para as campanhas, por acaso, não ressurgem mais tarde para cobrar favores? Elas podem, pois financiam a política business. E quem se faz passar por correto, ético e trabalhador e depois usa do dinheiro público para enriquecer? Como deve ser considerado? Sem dúvidas, aproveitador seria um elogio ao cinismo desses crápulas, tão ricos quanto criminosos.

Felizmente, ainda restou o Partido Socialismo e Liberdade no qual quem faz a campanha tem orgulho da bandeira que carrega e dos candidatos que apoia, sem que ganhe para isso nenhum centavo. É o partido de quem constrói coletivamente a política escrita no panfleto que distribui e assim quer governar: coletivamente e ao lado dos trabalhadores. Para que tenhamos um sistema político que beneficie os trabalhadores e o povo pobre é preciso derrotar os políticos-mercadoria dos partidos tradicionais, lutar para mudar a vida e construir uma alternativa de esquerda de verdade que nessas eleições tem nome e número: PSOL 50.


BeRnArDo CoRRêA